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O FUTURO DA LARANJA

 

Duas notícias dominaram as conversas dos produtores rurais de nossa região no último mês: a venda da Cargill e o aparecimento de nova doença nos pomares de laranja, chamada “greening”,   ambas trazem novas preocupações para o citricultor.

            Com a venda da Cargill para a Citrosuco e a Cutrale, os produtores perdem uma opção de venda para sua fruta, e o setor industrial fica mais concentrado do que já era.

            Para os mais pessimistas, a saída da Cargill representa um sinal de que a citricultura está ficando inviável. Já para os otimistas, a compra da Cargill, em um negócio que envolve cerca de meio bilhão de dólares, sinaliza que as perspectivas da laranja a longo prazo são boas pois não se investe uma quantia desta ordem em um negócio que está em vias de acabar.

            No entanto, algumas distorções precisam ser corrigidas para que esta perspectiva otimista se transforme em realidade. Poderíamos destacar duas medidas que consideramos de fundamental importância:

1-     é preciso que sejam encontrados mecanismos para limitar a produção de fruta própria pelas indústrias e;

2-     a comercialização da laranja precisa ser feita com contratos de longo prazo, de modo a permitir ao citricultor o planejamento de sua atividade.

Quanto ao surgimento da nova doença, que segundo os técnicos poderá ser uma enorme ameaça caso não seja controlada a tempo, leva-nos à constatação de que é preciso maiores investimentos em pesquisa.

Certamente o futuro da citricultura depende de investimentos pesados em pesquisa genética para a obtenção de variedades resistentes às novas e às antigas doenças, talvez até mesmo com a criação de uma laranja transgênica.

A EMBRAPA foi responsável por tarefas que no princípio pareciam impossíveis, como estender a cultivo de soja por todo o território nacional e não pode continuar estudando os  problemas da laranja apenas na unidade de Cruz das Almas, na Bahia.

Bebedouro é e deve continuar sendo o centro da mais importante região citrícola do país e reúne todas as condições para sediar uma nova unidade da EMBRAPA, dedicada à laranja, possivelmente instalada na área da FECCIB nova.

Com a participação de todos, Executivo, Legislativo Municipal, ACIAB, Sindicatos Patronais e de Empregados, Cooperativas e Associações, poderemos ter sucesso nesta proposta.

Está na hora de juntarmos todas as forças de Bebedouro para conseguir a instalação em nossa cidade de uma unidade da EMBRAPA dedicada especialmente à cultura de citrus.

O futuro da laranja em nossa região depende de nossa disposição para enfrentar e vencer adversidades.

 

 

José Osvaldo Junqueira Franco          

Presidente do Sindicato Rural de Bebedouro

 

 

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Última atualização: 10/10/2007

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